“Quando morrer voltarei para buscar os instantes que não vivi junto ao mar”
Sophia de Mello Breyner
Apaixonei-me ainda jovem, as formas, as linhas, a cor, tudo me cativava.
Começámos a namorar às escondidas dos meus pais, pois gastei as minhas
poupanças até então para poder comprar o que precisava para estar mais tempo.
Os meus amigos davam-me boleia, pois só tinha 14 anos, e deixavam-me esconder
o material de bodyboard em casa deles.
Quanto maior as ondas, mais o meu coração batia, foram muitos os sustos.
Nesse tempo a formação era dada pelas cassetes Beta, onde, em casa de amigos,
víamos os Australianos e Americanos a surfar ondas de sonho lá nos Países deles.
Quanto maior as ondas, mais a probabilidade de passar muitos segundos debaixo
de água, não vale a pena lutar, o segredo é nos últimos segundos antes de cair,
inspirar fundo, aguentar e deixar toda essa energia passar.
São essas imagens que quero mostrar, oxalá tivessem mais clareza, mas debaixo
de água, sem conseguir respirar, procuro apenas a luz que vem de cima. Tudo o
resto são formas cheias de sombras e onde a falta de luz predomina.
As imagens estão ordenadas, e são cíclicas, “acalmia”, “agitação”, “explosão”.
Este trabalho é um projecto de vida, só desde há uns meses consegui ter o material
necessário para o conseguir fazer e estas são as primeiras imagens de muitas que
quero realizar para poder transmitir as mesmas sensações e emoções que eu tenho
quando estou naquele local e momentos só meus. O tema para o trabalho final não
estava a ser fácil de escolher, até nos ter sido incentivado a experimentar, então
decidi trazer algo muito pessoal, a minha relação com o mar.